Seis obras inéditas de Aleijadinho atraem público a grande exposição de arte sacra em Nova Iguaçu

Mostra reúne mais de 350 peças dos séculos XVI ao XIX e fica aberta à visitação gratuita até 31 de janeiro

Nova Iguaçu recebe uma das maiores exposições de arte sacra já realizadas no Brasil nas últimas décadas. Em cartaz até o dia 31 de janeiro, a mostra “Arte & Devoção – A Escultura Religiosa no Brasil Colonial” apresenta ao público mais de 350 peças brasileiras, portuguesas e espanholas, produzidas entre os séculos XVI e XIX. O grande destaque são seis obras inéditas de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, principal nome do barroco brasileiro.

A exposição acontece na Casa de Cultura Ney Alberto, que integra o Complexo Cultural Mário Marques, e pode ser visitada gratuitamente de terça a sábado, das 10h às 17h. Sucesso de público e de crítica, a mostra já recebeu mais de mil visitantes desde a abertura.

As obras pertencem a coleções particulares e incluem esculturas eruditas e populares dos períodos colonial e imperial, revelando a diversidade da produção religiosa no Brasil. Para o secretário municipal de Cultura e curador da exposição, Marcus Monteiro, o evento coloca Nova Iguaçu em posição de destaque no circuito cultural.

“Esta é, sem dúvida, uma das exposições mais importantes já realizadas no país. A última deste porte foi a ‘Brasil 500 anos’, em 2000. Pela qualidade e variedade das peças, essa mostra poderia estar em qualquer lugar do mundo”, afirma.

Entre os destaques está a imagem de Nossa Senhora do Carmo, em madeira entalhada, atribuída a Aleijadinho e datada do século XVIII. A obra integrou a coleção da família da crítica teatral Bárbara Heliodora e hoje pertence a um colecionador de Brasília. Segundo Erick Ferreira, conservador e restaurador de bens culturais e também curador da exposição, várias peças do artista nunca haviam sido exibidas ao público.

“São obras inéditas, que não passaram por exposições, museus ou catálogos. Elas têm enorme relevância para a história do Brasil, já que Aleijadinho foi o principal artista do período colonial”, explica.

A curadoria é compartilhada com o museólogo do IPHAN Rafael Azevedo, que destaca o valor cultural da mostra para além do aspecto religioso.

“Essas obras pertencem a toda a população. Muitas foram produzidas por santeiros das camadas populares para igrejas igualmente populares. Quanto mais pessoas as conhecem, maior é a preservação e valorização do nosso patrimônio cultural”, ressalta.

Outro ponto alto da exposição é a escultura de São Pedro, em pedra de Ançã, atribuída a Diogo Pires, o Moço. Considerada a mais antiga imagem sacra do santo no Brasil, a peça teria sido trazida em 1551 pelo primeiro bispo do país, Dom Pedro Fernandes Sardinha.

Também integram a mostra obras atribuídas a importantes mestres da arte colonial, como Mestre Valentim, Francisco Vieira Servas, Mestre de Sabará, Francisco Xavier de Brito, Mestre de Iguassú, Veiga Valle, entre outros.

A exposição é realizada pela Casa do Conhecimento e patrocinada pela Prefeitura de Nova Iguaçu, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Educacional e Cultural de Nova Iguaçu.

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